quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Palavras Determinantes




Não sabemos qual o fim desta epopeia que é a vida. Cada dia é uma luta. Luta pelos desígnios que queremos. Queremos tanto. Queremos porque sabemos. Sabemos tanto. Sabemos que há caminhos que não desejamos e que não vamos por aí. Nunca iremos por aí. Nunca.

Esta colagem de várias aguarelas retrata instantes do nosso quotidiano. Pesquiso novos processos criativos e a colagem também faz parte dessa busca por outros caminhos, que me levam não sei para onde, sei, felizmente, por onde não quero ir. Histórias da minha pintura.

Como sempre, nos momentos de desencanto, busco forças recorrendo aos que me inspiram. E vos deixo com a voz de João Villaret recitando a poesia de José Régio:

“…Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!”


terça-feira, 22 de setembro de 2009

Mudar



Como mudamos. Mudamos mesmo. Mudamos tanto. Hoje somos outros, sendo os mesmos. Mudamos as amizades, os sonhos, os desejos, os afectos. Mudamos quase tudo. Mudamos. E mudamos para melhor e até para pior. Mudamos com o saber acumulado da vida, o que é bom. E é mau quando não temos ambições (quantas delas absurdas) do passado. E andamos assim. Mudando e mudando ora com rumo ou sem ele. É a vida.

Esta imagem da aguarela e dos brinquedos retrata os sonhos, os desejos, os afectos e as mudanças. Um pintor é sempre um sonhador mesmo mudando, mudando sempre. Histórias da pintura. Da minha pintura…

Hoje recordo as palavras de Ovídio in “Metamorfose”:

“E amanhã não seremos o que fomos
nem o que somos.”

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Concerto de Aranjuez

Ideias






Precisamos de ter ideias. Ideias para vencer o marasmo. Ideias para vencer a tristeza do sempre igual. Ideias para quebrar as rotinas. Ideias que nos façam sentir criativos. Ideias que nos separem da resignação. Ideias que vençam a inércia. Ideias que nos mobilizem e tragam um novo acreditar. Simplesmente ideias. Ideias.

Este desenho é mais um caminhar em busca de novas ideias, neste tão intrincado mundo das novas tecnologias, geradoras de processos criativos singulares e contemporâneos.

Recordo as palavras de Alexandre Herculano:

“ O homem é mais propenso a contentar-se com as ideias dos outros, do que a reflectir e a raciocinar”.

domingo, 20 de setembro de 2009

É preciso





É preciso. É preciso acreditar. É preciso falar bem alto. É preciso convencer. É preciso vencer. É preciso lutar sempre. É preciso ter ideias. É preciso ter vontade. É preciso não desistir. É preciso saber. É preciso ter esperança. É preciso esperar. É preciso sempre. É preciso. É preciso.

Estes desenhos definidos apenas com breves traços a pena e salpicados de cores procuram definir um ambiente, onde é preciso sempre ter sonhos e vontades. É por isso que pinto, porque é preciso.

Nesta luta que é o nosso viver em busca dos sonhos, recordo hoje um texto judaico, extraído do “ Pensamento hassídico”:

“ Quem abandona a luta não poderá nunca saborear o gosto de uma vitória.”

E vos deixo com a voz de Maria Callas e a música sempre bela de Puccini da ópera dramática Madame Butterfly.



sábado, 19 de setembro de 2009

Os Medos



Temos medo. Muitos medos. Medo disto e daquilo. Medo de vencer. Medo de perder. Medo de tudo. E de tanto medo perdemos tudo. Perdemos a liberdade de pensar. A liberdade de fazer. A liberdade de construir. A liberdade de destruir. A liberdade de ser diferente. E perdemos. Só perdemos. Perdemos tudo, menos o medo. É chegada a hora de não ter medo e dizer não! Não ao medo! Medo não!

Esta pintura em tela é um olhar contemplativo onde o medo também ocupa o seu lugar nesta incerta viagem que é o nosso viver. Aqui procurei, como toda a pintura, dar a sugestão formal quer das casas, quer do cortinado, quer até da figura feminina. El Greco foi muito censurado, no seu tempo, por aflorar a construção das suas imagens. Hoje é um mago do saber pintar. Histórias da Pintura.

Hoje recordo as palavras de François La Rochefoucauld que disse:

“ Tememos tudo como mortais, mas desejamos tudo como se fossemos imortais.”

E vos deixo com a música de Chopin, também ele um homem de muitos medos, felizmente um dos maiores da música, aqui com Arraus ao piano tocando o Nocturno nº 20 do genial polaco.



sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Caminhar





Todos os dias há um novo caminho, nem que seja sempre o mesmo. Precisamos tanto de caminhar. Andar, andar por um caminho. Caminho que nos diga que estamos, porque estamos e onde estamos. E devemos fazer, todos os dias, um novo caminhar.

Esta pintura em tela recortada tem a forma de um ícone do nosso tempo e tendo por tema Lisboa. A luz tão peculiar e o encanto que se encontra ao olhar a cidade, com olhos de ver, foram os meus propósitos. Histórias da minha pintura…

E do “Talmude Babilónico” trago hoje um texto judaico:

“ Somos sempre levados para o caminho que desejamos percorrer.”

E vos deixo com a voz de Amália que, como se sabe, soube caminhar e fazer o seu caminho de verdade e dignidade.