quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Acreditar sempre





Não se trata de resignação. Não se trata de não ser capaz. Não se trata de desistir. Não se trata de fingir. Não se trata disto e daquilo, trata-se, sim, de acreditar. Felizmente que há sempre alguém que acredita. E quando se acredita tudo se torna mais fácil. Tudo parece possível. Até os sonhos se tornam realidade. É preciso acreditar. Acreditemos sempre. Não acreditar é morrer.

Esta imagem é um hino à música e à pintura que comigo convivem diariamente. Por muitas contrariedades nunca me resignarei. Pintor sempre porque acredito que vale a pena, mesmo continuando na sombra e na solidão. Esta aguarela é um passeio pelo prazer da descoberta das cores e das formas. Histórias da minha pintura.

Recordo hoje Jen de La Fontaine que escreveu:

“E cada um acredita, facilmente, no que teme e no que deseja.”

E vos deixo com a música de Gioachino Rossini, na abertura da ópera, “O Barbeiro de Sevilha” uma história de muitos acreditares.



quarta-feira, 16 de setembro de 2009

É sempre assim



É sempre assim. Felizmente que é sempre assim. Irreverência e progresso. E vamos caminhando e sempre criticando as outras gerações, e, também acreditando num mundo que nunca existiu. É sempre assim.

Esta pintura em tela recortada é, mais uma vez, a representação de um mundo ora belo, ora angustiante. Aqui as cores e as formas procuram realçar os propósitos da temática. Histórias da minha pintura.

Recordo as palavras do poeta e prémio Nobel da Literatura Radindranath Tagore:

“ Compreendemos mal o mundo e depois dizemos que ele nos decepciona.”


E termino com a música de Bellini na ópera I Puritani , hoje com a voz de Sumi Jo no papel de Elvira, que, como tantos, perdem a razão por razões passionais, num contexto de intriga e de luta entre os homens.




terça-feira, 15 de setembro de 2009

Nada sabemos



Nada sabemos. Como nada sabemos inventamos. Inventámos Deus, milagres e crenças. Inventámos. E continuaremos a inventar e a acreditar nas nossas invenções porque nada sabemos. E porque nada sabemos vivemos com os dogmas, as angústias e as vaidades do saber que não é saber. Eternamente nada sabemos. Eternamente.

Felizmente que sou pintor. Pinto com a liberdade do não saber e da insignificância e multiplicidade das leituras do meu trabalho. Hoje trago estes desenhos que têm a natureza por tema e que, como toda a arte, é apenas a aparência da realidade.


Fernando Pessoa disse no "O Livro do Desassossego":
- "Haja ou não deuses, deles somos servos".

A ideia de Deus deu origem às religiões que também trouxeram serenidade e arte. E vos deixo com Bach que, como se sabe, elevou através da música o nome de Deus.



segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Posturas



Cada um tem o seu modo de estar perante os outros e perante si próprio. E porque vivemos em sociedade convivemos ora passivos, ora contestando. E assim vamos deixando as nossas marcas com as quais alguns se identificam e muitos outros não. E é esse modo de caminhar e deixar rasto que nos define e caracteriza, elevando ou deixando-nos na lama, para todo o sempre.

Esta pintura “ O cavalo de Tróia” de 1999 em tela recortada é, mais uma vez, uma viagem pelo tempo e pelo espaço só possível na imaginação expressa da arte. Histórias da minha pintura…

Recordo hoje as palavras de Marquês Maricá que disse:

“ Muitas pessoas se prezam de firmes e constantes que não são mais que teimosas e impertinentes.”


E vos deixo com a maravilhosa voz de von Otter cantando Offenbach em "Barcarola".




domingo, 13 de setembro de 2009

Linhas da vida




Nascemos para viver, embora sabendo que vamos, todos, morrer um dia. Nascemos para descobrir e amar o viver. E assim deve ser. Devemos ter, por educação, o prazer da vida, e não como objectivo o sacrifício dela. Não há lei ou pensamento dos Homens que justifique, de livre vontade, o desejo de não viver e caminhar para lado nenhum, porque nascemos para viver e não para matar. Nascemos para amar e não para odiar. Nascemos para compreender e não para fingir compreender. Nascemos mesmo para viver. Viver com paixão. Viver.

Esta pintura recortada, em tela, feita no início da década, é mais um deambular pelo prazer de viver e na busca da singularidade pictórica.

Michel Montaigne disse um dia:

“ A nossa grande e gloriosa obra-prima é viver a propósito.”

E vos deixo com o “Hino À Alegria” uma das maiores e mais belas músicas criadas pelo saber e sensibilidade humana, só ao alcance dos grandes como Beethoven.




sábado, 12 de setembro de 2009

E tudo mudou






E tudo mudou. Nada mais é como dantes. O que existe hoje é um mundo novo. Veio para ficar, e com ele, novas posturas de vida, novos modos de estar e sentir. E não queremos ver a mudança. Olhamos para a realidade e construímos teorias e explicações de um mundo que não existe e que queremos e não queremos abdicar dele, mas tudo mudou. Para sempre.

A imagem de hoje tão tipificada nas tabernas do passado, onde estas figuras do artesanato popular tinham lugar cativo, já não fazem parte deste mundo novo, onde o telemóvel e a internet mudaram os comportamentos e as atitudes. E hoje, a arte contemporânea também ela vive embriagada com tantos caminhos novos. E tudo mudou. Para sempre.

O filósofo Ludwig Wittgenstein disse um dia, de acordo com o “Tratado Lógico-Filosófico”:

“ O mundo é tudo o que acontece.”



Eu que não sou católico vos deixo, hoje, com o Canto Gregoriano, que considero uma pérola da música.



sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A selva



Vivemos na selva. Cada vez mais. E assim será, para sempre, porque andamos por aí levando as nossas culturas, os nossos sonhos e os nossos fundamentalismos. E pouco a pouco construímos a selva, as muitas selvas, cada vez maiores e aparentemente mais civilizadas, e, no entanto, tão próximas do abismo e do holocausto.

Esta aguarela é uma visão, que retrata o homem no tempo e no espaço, aqui graças à liberdade da criação que permite juntar dois mundos tão distantes e tão coexistentes.

E hoje recordo a entrevista de Maria Augusta Silva ao grande poeta António Gedeão que disse no livro "Poetas Visitados":

“ O homem de hoje faz tantas barbaridades como o das cavernas.”

E vos deixo com a poesia de António Gedeão na voz de Manuel Freire:

“ Pedra Filosofal.”