segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Posturas



Cada um tem o seu modo de estar perante os outros e perante si próprio. E porque vivemos em sociedade convivemos ora passivos, ora contestando. E assim vamos deixando as nossas marcas com as quais alguns se identificam e muitos outros não. E é esse modo de caminhar e deixar rasto que nos define e caracteriza, elevando ou deixando-nos na lama, para todo o sempre.

Esta pintura “ O cavalo de Tróia” de 1999 em tela recortada é, mais uma vez, uma viagem pelo tempo e pelo espaço só possível na imaginação expressa da arte. Histórias da minha pintura…

Recordo hoje as palavras de Marquês Maricá que disse:

“ Muitas pessoas se prezam de firmes e constantes que não são mais que teimosas e impertinentes.”


E vos deixo com a maravilhosa voz de von Otter cantando Offenbach em "Barcarola".




domingo, 13 de setembro de 2009

Linhas da vida




Nascemos para viver, embora sabendo que vamos, todos, morrer um dia. Nascemos para descobrir e amar o viver. E assim deve ser. Devemos ter, por educação, o prazer da vida, e não como objectivo o sacrifício dela. Não há lei ou pensamento dos Homens que justifique, de livre vontade, o desejo de não viver e caminhar para lado nenhum, porque nascemos para viver e não para matar. Nascemos para amar e não para odiar. Nascemos para compreender e não para fingir compreender. Nascemos mesmo para viver. Viver com paixão. Viver.

Esta pintura recortada, em tela, feita no início da década, é mais um deambular pelo prazer de viver e na busca da singularidade pictórica.

Michel Montaigne disse um dia:

“ A nossa grande e gloriosa obra-prima é viver a propósito.”

E vos deixo com o “Hino À Alegria” uma das maiores e mais belas músicas criadas pelo saber e sensibilidade humana, só ao alcance dos grandes como Beethoven.




sábado, 12 de setembro de 2009

E tudo mudou






E tudo mudou. Nada mais é como dantes. O que existe hoje é um mundo novo. Veio para ficar, e com ele, novas posturas de vida, novos modos de estar e sentir. E não queremos ver a mudança. Olhamos para a realidade e construímos teorias e explicações de um mundo que não existe e que queremos e não queremos abdicar dele, mas tudo mudou. Para sempre.

A imagem de hoje tão tipificada nas tabernas do passado, onde estas figuras do artesanato popular tinham lugar cativo, já não fazem parte deste mundo novo, onde o telemóvel e a internet mudaram os comportamentos e as atitudes. E hoje, a arte contemporânea também ela vive embriagada com tantos caminhos novos. E tudo mudou. Para sempre.

O filósofo Ludwig Wittgenstein disse um dia, de acordo com o “Tratado Lógico-Filosófico”:

“ O mundo é tudo o que acontece.”



Eu que não sou católico vos deixo, hoje, com o Canto Gregoriano, que considero uma pérola da música.



sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A selva



Vivemos na selva. Cada vez mais. E assim será, para sempre, porque andamos por aí levando as nossas culturas, os nossos sonhos e os nossos fundamentalismos. E pouco a pouco construímos a selva, as muitas selvas, cada vez maiores e aparentemente mais civilizadas, e, no entanto, tão próximas do abismo e do holocausto.

Esta aguarela é uma visão, que retrata o homem no tempo e no espaço, aqui graças à liberdade da criação que permite juntar dois mundos tão distantes e tão coexistentes.

E hoje recordo a entrevista de Maria Augusta Silva ao grande poeta António Gedeão que disse no livro "Poetas Visitados":

“ O homem de hoje faz tantas barbaridades como o das cavernas.”

E vos deixo com a poesia de António Gedeão na voz de Manuel Freire:

“ Pedra Filosofal.”



quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Convicções




É tudo uma enorme confusão. Gente que comunga posturas e modos de agir e ser, que outros condenam e desesperam. As posições sobre como viver sempre foram sujeitas a observações e julgadas bem ou mal. E aqui continuamos, com a certeza dos Homens, que se traduz em mais força e não na força das ideias.

Esta aguarela, como todo o meu trabalho, é uma forma de comunicar. Quando as imagens não são suficientes, os meus cadernos esperam pelos meus desabafos. Histórias de um pintor.

E neste deambular lembrei-me de Henri Bergson que disse:

“ A vida é um caminho de sombras e luzes. O importante é que se saiba vitalizar as sombras e aproveitar as luzes.”

E vos deixo hoje com “ A Cavalgada das Valquírias” de Wagner, também ele com ideias muito impróprias e, no entanto, com uma música genial. Paradoxos dos Homens.


quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Pensar Muito





Tudo passa num ápice. Ontem já foi, faz muito tempo. E o melhor das vidas acontece e depressa acaba. Acaba sempre tudo, o bom e o péssimo, nem que seja no último suspiro. E assim é quando se pensa muito. E precisamos tanto, tanto de pensar. E quando não pensamos, nada somos, e queremos ser sempre alguém, e por isso pensamos, pensamos muito.

Esta pintura, em madeira, é um modo de expressar o muito pensar, de que tanto precisamos. Aqui, como aconteceu nesta série de trabalhos, (pinto por séries) há uma dupla imagem. Como qualquer pintura é composta por uma figuração inserida num espaço, cuja forma é também ela uma outra imagem. Histórias da minha pintura.

Pascal disse um dia:

“ Pensar faz a grandeza do homem.”


E vos deixo com a música e a voz de Carlos Mendes cantando “Amélia dos olhos doces”.


terça-feira, 8 de setembro de 2009

Ideias que movem o mundo




Há ideias que mudaram e continuam a mudar o nosso mundo. Para o melhor, e, infelizmente, também para o pior. Ideias que movem multidões apesar da injustiça que transportam consigo e que vitimam. Ideias tão abjectas que fizeram História e outras ainda que História farão pela monstruosidade que provocarão. Nós somos assim. Aprendemos e desaprendemos com as boas e as más ideias. Ideias que movem o mundo, ora criando bem-estar, ora gerando ódios sem fim. É o nosso fado. Eternamente.

Esta pintura em madeira recortada conta dois mundos; de um lado, a infância com tudo de bom, e, do outro, o caminho da guerra que, como todas as guerras, é sinónimo de dor, destruição e morte. Cabe ao artista dizer de sua justiça, como é o caso, utilizando tintas e pincéis.


Robert Mallet escreveu um dia:


“As boas ideias não têm idade, apenas têm futuro.”


E vos deixo com Verdi em “ A força do Destino”.