quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Convicções




É tudo uma enorme confusão. Gente que comunga posturas e modos de agir e ser, que outros condenam e desesperam. As posições sobre como viver sempre foram sujeitas a observações e julgadas bem ou mal. E aqui continuamos, com a certeza dos Homens, que se traduz em mais força e não na força das ideias.

Esta aguarela, como todo o meu trabalho, é uma forma de comunicar. Quando as imagens não são suficientes, os meus cadernos esperam pelos meus desabafos. Histórias de um pintor.

E neste deambular lembrei-me de Henri Bergson que disse:

“ A vida é um caminho de sombras e luzes. O importante é que se saiba vitalizar as sombras e aproveitar as luzes.”

E vos deixo hoje com “ A Cavalgada das Valquírias” de Wagner, também ele com ideias muito impróprias e, no entanto, com uma música genial. Paradoxos dos Homens.


quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Pensar Muito





Tudo passa num ápice. Ontem já foi, faz muito tempo. E o melhor das vidas acontece e depressa acaba. Acaba sempre tudo, o bom e o péssimo, nem que seja no último suspiro. E assim é quando se pensa muito. E precisamos tanto, tanto de pensar. E quando não pensamos, nada somos, e queremos ser sempre alguém, e por isso pensamos, pensamos muito.

Esta pintura, em madeira, é um modo de expressar o muito pensar, de que tanto precisamos. Aqui, como aconteceu nesta série de trabalhos, (pinto por séries) há uma dupla imagem. Como qualquer pintura é composta por uma figuração inserida num espaço, cuja forma é também ela uma outra imagem. Histórias da minha pintura.

Pascal disse um dia:

“ Pensar faz a grandeza do homem.”


E vos deixo com a música e a voz de Carlos Mendes cantando “Amélia dos olhos doces”.


terça-feira, 8 de setembro de 2009

Ideias que movem o mundo




Há ideias que mudaram e continuam a mudar o nosso mundo. Para o melhor, e, infelizmente, também para o pior. Ideias que movem multidões apesar da injustiça que transportam consigo e que vitimam. Ideias tão abjectas que fizeram História e outras ainda que História farão pela monstruosidade que provocarão. Nós somos assim. Aprendemos e desaprendemos com as boas e as más ideias. Ideias que movem o mundo, ora criando bem-estar, ora gerando ódios sem fim. É o nosso fado. Eternamente.

Esta pintura em madeira recortada conta dois mundos; de um lado, a infância com tudo de bom, e, do outro, o caminho da guerra que, como todas as guerras, é sinónimo de dor, destruição e morte. Cabe ao artista dizer de sua justiça, como é o caso, utilizando tintas e pincéis.


Robert Mallet escreveu um dia:


“As boas ideias não têm idade, apenas têm futuro.”


E vos deixo com Verdi em “ A força do Destino”.



segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Datas marcantes




Recordamos e até comemoramos datas. Recordamos histórias e episódios nossos e do meio. Recordamos factos felizes e até alguns que muitas dores nos deram, ao ver partir, para sempre, os nossos. Comemoramos em festa com alegria e vaidade uma data íntima. Oferendas e muitos votos de felicidade são os desejos que se repetem no ritual de cada momento natalício. E assim vamos vivendo e recordando até ao fim dos nossos dias.


Esta pintura em madeira recortada, já com alguns anos, retrata um diálogo com ofertas. Cores complementares e um desenho forçadamente contido das formas do espaço reforçam a composição.


E hoje lembrei-me das palavras de Jules Renard in “Diário”:

“ É assim tão certo que nascemos para viver?”


E vos deixo com a voz de Amália:
"Estranha Forma de Vida"

domingo, 6 de setembro de 2009

Acreditar e desacreditar




Precisamos tanto de acreditar. Acreditamos na esperança, na fé, na ambição, no desejo, na vida. Acreditamos e vamos desacreditando. Acreditamos quando ainda temos objectivos que julgamos realizáveis. Desacreditamos quando a realidade dos Homens e da Vida é tão diferente dos sonhos do acreditar.

Este meu trabalho feito num período de muitas buscas, como é meu timbre, é em tela numa configuração recortada. Tal como na vida de todos os dias gosto de acreditar e de sonhar, e, por isso vou construindo o meu mundo pictórico.

De novo o Dr. José Afonso, não por questões panfletárias ou ideológicas, mas por considerar que fora do campo lírico (é do que gosto), na música portuguesa, é dos maiores entre os maiores. Um outro nome que me encanta sempre é o de Amália. Um outro cantar. Um outro modo de olhar o mundo. Dois génios da música portuguesa que me fascinam e perturbam. E vos deixo com a voz e a poesia do doutor de leis:

“ Vejam bem
Que não há
Só gaivotas
Em terra
Quando um homem
Se põe
A pensar…”



sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Conversas loucas



Vivemos a comunicar. Falamos de tudo. Umas vezes serenamente. Outras, bem pelo contrário, desconversando. E assim vamos vivendo com tanta conversa; umas para não mais esquecer; outras nem merecem o tempo perdido; outras ainda, porque são conversas loucas, devem-nos fazer pensar.

Esta pintura em tela retrata um ambiente bucólico e aparentemente sereno e sensato, longe das conversas loucas, que podem, porém, surgir onde menos se espera. Aqui o desejo foi representar a volumetria dos espaços e conjugar cores próximas da atmosfera inerente. Histórias da minha pintura.

E vos deixo com as palavras ditas por Jean Jacques Rousseau, in “ A Nova Heloísa”:

“ Os homens a quem se fala não são aqueles com quem se conversa”

Quantas?



A nossa maneira de ser e os nossos actos têm, por vezes, um alcance que ultrapassa o imaginável. O que acontece nas nossas vidas é, muitas vezes, imprevisível. O que começou por ser um mero episódio pode-se transformar no caso das nossas vidas. Quantas pessoas não ficaram definitivamente entregues a um ideal, a uma paixão, a um projecto de vida só porque, uma questão menor, se transformou na maior das causas, e das razões deste nosso viver? Quantas?

Esta pintura em madeira recortada, feita em tempos idos, é a procura de uma figuração que, na época, julguei diferenciadora. Tempos de um mundo cheio de pintores e pinturas sem fim.

E hoje lembrei-me de Nicolau Gogol : “ Sei que o meu nome será mais feliz do que eu”.

E vos deixo com a música de um dos mais belos e sublimes filmes que a América fez para o mundo: Casablanca e As Time Goes By.