terça-feira, 18 de agosto de 2009

Verdes são os campos




É Verão. É tempo de olhar e ver. Ver os campos verdes e saborear a beleza da natureza tão fértil e pungente neste agora triste país. É tempo de voltar a crer. É tempo de mudar o que está mal. É tempo de dizer e fazer. É tempo de sonhar. É tempo de acreditar. É chegado o tempo, porque é o tempo dos verdes campos. Campos de novas alegrias, de novas esperanças.


Tal como na vida procuro sempre campos novos na pintura. Esta obra retrata os verdes campos, deste país tão belo, e que tantas vezes foi pintado pelos nossos artistas como Carlos Carreiro, Mário Botas, Costa Pinheiro e Amadeo.


É vos deixo com a voz de José Afonso cantando a poesia do autor dos Lusíadas em "Verdes são os campos".



segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Saudades



O passado deve ser sempre recordado positivamente. Quando penso na minha adolescência só quero recordar o lado bom. E o lado bom traz-me as saudades da praia. Era o calor intenso que queimava os pés ao sair da água do mar, essa sim quente e límpida; era a alegria de ter, logo ali, o areal extenso e cheio de alegria; era o modo de estar; era a postura de vida; era as cores do sol que ao fim do dia nos gratificavam com a beleza cromática só descritível vendo; era o conviver com tantas culturas de gentes de tantos lados; era o saber estar longe da velha Europa e tão perto do futuro; era tanta incógnita; era tanto desejo de transformar e acreditar na mudança; era tudo. E tudo acabou.

Hoje trago a poesia do moçambicano Rui Knopfli e um excerto do poema “ Gritarás o meu nome”:

“Gritarás o meu nome em ruas
desertas e a tua voz será
como a do vento sobre a areia:
um som inútil de encontro ao silêncio.

Não responderei ao teu apelo,
Embora ardentemente o deseje.
O lugar onde moro é um obscuro
Lugar de pedra e mudez…”

E vos deixo com a voz de Mariza (natural também de Moçambique) em “ Menino do Bairro Negro”interpretando uma canção de José Afonso, meu antigo professor.



domingo, 16 de agosto de 2009


Moçambique

Nasci em África. Quando vi o filme África Minha, como todos os naturais, senti saudades. Saudades de um mundo deixado, de um mundo já não existente, de um mundo apenas aparentemente belo e perfeito no cinema. África é outra coisa. África é tudo menos bucólica e apaixonante na sua expressão mais nobre. África é um espaço enorme com tudo de bom, num mundo habitado por outros interesses. Infelizmente África é outra realidade. Infelizmente.

Esqueci, procuro esquecer, cada vez mais onde vivi em Moçambique os meus primeiros anos, donde, a minha obra plástica tem apenas pontualmente uma referência africana.

E hoje lembrei-me do meu conterrâneo Mia Couto e da sua obra Raiz de Orvalho e Outros Poemas e do poema Fui Sabendo de Mim:


“Fui sabendo de mim
por aquilo que perdia

pedaços que saíram de mim
com o mistério de serem poucos
e valerem só quando os perdia

fui ficando
por umbrais
aquém do passo
que nunca ousei

eu vi
a árvore morta
e soube que mentia”


E vos deixo hoje com a música sempre apaixonante de Mozart, utilizada pelo cinema americano no filme África Minha: Concerto para clarinete, 2 segundo andamento dirigido por Claudio Abbado e com o clarinetista Alessandro Carbonare.


sábado, 15 de agosto de 2009

Ditos Populares



“Nem tudo é o que parece. Em estética o que parece é. Nem tudo o que luz é ouro. Quem vê caras não vê corações. Não há bela sem senão.”
Estes ditos populares são a expressão da sabedoria de um povo que já não vai em cantigas, embora apareçam muitas “Donas Brancas” de quando em vez. É a vida …com as certezas e os enganos de todos nós.

Esta pintura "Não Há Bela Sem Senão" faz parte do período da representação espacial onde procurei realçar a perspectiva, e que aqui retrata uma fachada de um prédio tão comum na cidade do Porto. Durante esta fase, o rigor geométrico das formas e da composição nasceu pelo desejo de descobrir, como é meu timbre, novos caminhos pictóricos.

E vos deixo com as palavras de Francisco Quevedo, in Antologia Poética e um excerto do poema “Desenganado da Aparência Exterior”:

Desenganado da Aparência Exterior Com O Exame Interior E Verdadeiro

“Vês tu este gigante corpulento
que solene e soberbo se reclina?
Pois por dentro é farrapos e faxina,
e é um carregador seu fundamento…”

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Primeira pintura




Esta é a primeira pintura que fiz e logo um auto-retrato. Um retrato tem dificuldades enormes. Impõe que haja uma semelhança entre o retratado e a pintura propriamente dita. Parece fácil, mas é sempre uma enorme batalha, no entanto, adoro fazer retratos. É o desafio, é o confronto, é o teste, é o querer demonstrar que sou capaz, é a luta permanente para provar que consigo. Eu sou assim.
O auto-retrato é feito por todos os artistas, por opção, ou, por falta de modelos. O próprio pintor tendo um espelho basta-se a si próprio para ter um objecto artístico: ele próprio.
Este retrato foi a iniciação ao óleo. Foi a primeira abordagem fora do contexto da sala de aula. Foi a descoberta do caminho desejado. Foi sentir orgulho perante o desafio. Foi o sonhar. E o sonho se fez realidade. Desde então não mais parei.

E vos deixo com as palavras de Álvaro de Campos (heterónimo de Fernando Pessoa)in, “Poemas”:


“Sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo,
Espécie de acessório ou sobressalto próprio,
Arredores irregulares da minha emoção sincera,
Sou eu aqui em mim, sou eu…”

E termino com a música sempre genial do maior de todos os compositores: Mozart, aqui no Concerto com Violino No. 5 (K. 219) primeiro movimento,com a interpretação ao violino de Anne-Sophie Mutter.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Felizmente





Há dias em que as memórias nos trazem recordações de episódios que nos marcaram e que nos deixam felizes. Felizmente.

Esta é mais uma aguarela sobre a contemplação do mar e do céu e, obviamente, dos pensamentos felizes. Felizmente

E hoje lembrei-me de Friedrich Nietzsche e do poema A Minha Felicidade da obra A Gaia Ciência:

“ Depois de estar cansado de procurar
Aprendi a encontrar.
Depois de um vento me ter feito frente
Navego com todos os ventos”


E vos deixo com a música de Jacques Offenbach: Barcarola, aqui nas vozes de Anna Netrebko e Elina Garanca.