
A brisa, o calor, o desejo, a afirmação constroem as loucuras de Verão. É vê-los passar. Uns atrás de outros. Continuamente. É o viver saboreando o viver. Felizmente que há as loucuras de Verão. Felizmente que há loucuras. Felizmente que há Verão. Felizmente que assim é, todos os anos, as loucuras de Verão. Sempre assim foi. Sempre assim será, no Verão, as loucuras de Verão. Loucuras sem loucos, apenas e só gente que quer viver as loucuras de Verão. Felizmente que assim é. O Verão.
Esta tela retrata um típico carro americano que faz as delícias e as loucuras de Verão…
Aqui, nesta minha pintura de grande formato, um elemento (o carro), só por si, ocupa quase que a tela por completo, na linha descrita pela figuração do cinema que tanto me encanta.
E vos deixo com um dos poetas portugueses que mais gosto, talvez porque melhor entenda as suas palavras: António Gedeão. E com um excerto do Poema da Auto-estrada termino hoje esta crónica diária:
"Voando vai para a praia
Leonor na estrada preta.
Vai na brasa, de lambreta.
Leva calções de pirata,
Vermelho de alizarina,
Modelando a coxa fina
De impaciente nervura.
Como guache lustroso,
Amarelo de indantreno,
Blusinha de terileno
Desfraldada na cintura.
Fuge, fuge Leonereta.
Vai na brasa de lambreta…”