quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Loucuras de Verão




A brisa, o calor, o desejo, a afirmação constroem as loucuras de Verão. É vê-los passar. Uns atrás de outros. Continuamente. É o viver saboreando o viver. Felizmente que há as loucuras de Verão. Felizmente que há loucuras. Felizmente que há Verão. Felizmente que assim é, todos os anos, as loucuras de Verão. Sempre assim foi. Sempre assim será, no Verão, as loucuras de Verão. Loucuras sem loucos, apenas e só gente que quer viver as loucuras de Verão. Felizmente que assim é. O Verão.

Esta tela retrata um típico carro americano que faz as delícias e as loucuras de Verão…

Aqui, nesta minha pintura de grande formato, um elemento (o carro), só por si, ocupa quase que a tela por completo, na linha descrita pela figuração do cinema que tanto me encanta.

E vos deixo com um dos poetas portugueses que mais gosto, talvez porque melhor entenda as suas palavras: António Gedeão. E com um excerto do Poema da Auto-estrada termino hoje esta crónica diária:

"Voando vai para a praia
Leonor na estrada preta.
Vai na brasa, de lambreta.

Leva calções de pirata,
Vermelho de alizarina,
Modelando a coxa fina
De impaciente nervura.
Como guache lustroso,
Amarelo de indantreno,
Blusinha de terileno
Desfraldada na cintura.

Fuge, fuge Leonereta.
Vai na brasa de lambreta…”

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Alegrias de Verão




É Verão. É o tempo de saborear os calores e os prazeres dos tórridos dias, onde a água dos mares ou dos rios enche de encanto os mais novos e delicia os mais velhos. É o tempo dos passeios em férias caseiras ou em terras estranhas. É o tempo da descoberta das virtudes das primaveras sempre em renovação. É o tempo de viver em alegria as noites longas e sentidas. É o tempo de ver, ouvir e rir. É o tempo das alegrias de Verão.

Esta pintura é um retrato onde predomina o sorriso. Aqui, mais uma vez, procurei, num enquadramento singular, colocar a personagem distante do olhar fotográfico e próximo da visão cinematográfica. Histórias… da minha pintura.


E termino relembrando as palavras de Fiodor Dostoievski, in “O Adolescente”:

“ O Riso é o Melhor Indicador da Alma.”

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Por aí






É mesmo assim. Momentos há que se anda por aí. Por aí sem rumo nem beira. Por aí.
É mesmo assim. Umas vezes mais crentes, outras nem tanto. Umas vezes vislumbrando uma luz ao fundo do túnel, outras sem túnel nenhum.
É mesmo assim. Os dias passam e quando a esperança deixou de ser esperança o que aí vem, pode ser um novo rumo, ou o fim.
É mesmo assim.

E vos deixo com a um trecho da ópera L´Elisir d` Amore de Donizetti, na voz inconfundível de Pavarotti cantando Una furtiva lagrima.



domingo, 9 de agosto de 2009

Auto-retrato




Retratar o próprio corpo e daí exprimir uma forma de ser e estar é o objectivo principal do auto-retrato. É muito interessante ver como tantos se representaram e se olharam ao espelho. As divergências, os contextos, os modos de ver, sentir e viver o mundo nos retratos de Leonardo, Van Gogh, Chagall, Mário Elóy, Mário Botas,Lucian Freud, Andy Wharol, Frida Kahlo são o exemplo claro da diversidade que habita em nós.

Este é o meu último auto-retrato. Ele foi feito em 92 e é uma pintura sobre madeira (material que gosto muito pela textura, pela durabilidade e até pela História), com uma configuração recortada, que se enquadrava na série de trabalhos que fiz nessa época, caracterizados pela forma irregular e tendo como sugestão formal o corpo humano. Histórias …da minha pintura

E vos deixo com as palavras de Álvares de Campos (heterónimo de Fernando Pessoa), in Da “Tabacaria”:

“Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!”

sábado, 8 de agosto de 2009

Retrato



Retrato é a descrição de alguém, algum acontecimento ou algum espaço. Retrato é a visão da realidade que nos cerca. Retratamos os outros de acordo com os nossos desejos descritivos. Uns é de um modo transparente como a água límpida, outros é, pelo contrário, turva e inquietante. Um retrato é, afinal, um modo de olhar o mundo e de nos retratarmos.

Esta pintura, de grande formato, executada em apenas dois dias (no tempo em que fazia com a velocidade de um relâmpago as minhas obras), é em tons cinza. O retrato procura criar um ambiente de acordo com a personalidade da própria retratada, daí a escolha dos cinzentos, dos azuis e da pose elegante e tão pausada.


E vos deixo com as palavras de Beaumarchais:

“ Ai! Porque é que as coisas são assim e não de outra maneira?”

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Acaso





É mesmo assim. Acontece. Acontece simplesmente. E ao acontecer, por acaso, tudo pode mudar. Até a vida. A vida de todos nós. E tudo acontece por acaso. O ir por aqui e não por ali faz toda a diferença. A diferença de uma vida. A nossa vida. É tão simples como tudo acontece, no entanto, é tão complicado resolver o depois. O nosso destino é, tão só, a sucessão de acasos, que pouco a pouco foram construindo o percurso da vida. Conhecemos e desconhecemos pessoas e situações por acaso. Basta um instante para estar, ou não estar, no sítio certo, ou, no sítio errado. O acaso é isso mesmo. Sem nada fazer prever, vivemos ou não, um acontecimento feliz ou catastrófico. É o acaso que traça este nosso viver e dele optamos umas vezes bem, muitas outras mal. É mesmo assim. O acaso.



Esta aguarela retratando o mar e as ondas serve hoje de meditação sobre o acaso da vida.


E vos deixo com a música sublime de Gustave Mahler que descobri ouvindo a antena 2, e os apaixonantes programas radiofónicos de António Cartaxo. Aqui com a direcção de Bernstein : Adagietto Simfonia 5.






quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Férias




Significado de férias:

- É o despertador que não toca; é a acalmia dos actos; é a abundância do tempo; é o estar pelo estar; é a despreocupação das circunstâncias; é o não ter de fazer ou fazer; é o saber usufruir; é a liberdade do estar; é tanta coisa; é isto e aquilo, e mais isto e mais aquilo.


Este desenho é um dos muitos esboços que registo tudo o que me cerca, desde que tenha à mão um meio riscador e um suporte.


E, porque o tempo é de férias, vos deixo com a música argentina e o tango na voz de Carlos Gardel em Volver