
Há dias assim. As palavras não surgem com a cadência e o significado que gostaria que tivessem. Há dias assim. Tudo está no sítio errado. Tudo parece mal. Tudo é nada e nada é tudo. Há dias assim. É a palavra, é este gesto e o outro, é esta atitude e aquela, é o não saber estar, é tanta coisa. Há dias assim. Faço tristes quem não merece. Complico o que é fácil. Não sei fazer nada. Nada me sai bem. Há dias assim.
Esta pintura enquadrada na temática dos retratos (adoro fazer retratos) tem a postura que considero mais própria para fazer da arte pictórica um mar de interrogações e considerações estéticas. Prefiro que os olhares dos retratados estejam direccionados para outros horizontes, como forma de criar dúvidas sobre o que se passa para lá do espaço pictórico. Histórias … da minha pintura.
E vos deixo com um excerto de um poema de Florbela Espanca, in “ A Mensageira das violetas”:
“ …Meus olhos hão de olhar teus olhos tristes;
Só eles te dirão que tu existes
Dentro de mim num riso d`alvorada!...”





