
Eles são tão grandes que até parecem de uma outra galáxia. De um outro mundo. Outros seres. Têm tudo: reconhecimento, adulação, riqueza, beleza, glória, génio e misticismo. Têm tudo. Aparentemente. Tudo têm: angústias, tristezas e dores. Muitas dores. Como os comuns mortais. Eles são mortais!
Longe da ribalta os nossos mitos são tão iguais, mesmo iguais a todos. É a natureza dos Homens. Felizmente. Eles, os mitos, são aqueles que se tornaram conhecidos e reconhecidos. No seu tempo ou fora dele. Gente do saber, das artes, da política, do pensamento, das ciências, da valentia ou da falta dela, disto e daquilo. Os mitos, os nossos mitos, são o nosso julgamento dos valores. Dos maiores e dos menores. Hoje os mitos são de trazer por casa. Mitos que não resistem ao fátuo tempo. Mitos que são, afinal, juízos críticos sobre o sucesso ou a fraqueza. Os mitos dos nossos dias retratam apenas os feitos que gostaríamos de fazer, e que outros, por nós fizeram. Pobres mitos.
Esta aguarela retrata os nossos heróis transformados em mitos. Mitos de trazer por casa.
E vos deixo com as palavras extraídas da Ilíada de Homero quando diz Nestor, o velho condutor de carros:
“… mas nunca os deuses dão tudo ao mesmo tempo aos homens…”








