segunda-feira, 13 de julho de 2009

Casa no campo




É um sonho. O sonho daqueles que vivendo na confusão das cidades, cheias de gente e poluição, desejam ter um espaço, uma casinha, uma casa, uma vivenda na aldeia, no sossego dos campos verdejantes e tendo, por sonoridade dominante, o cantar dos pássaros e a pacatez do viver.

Hoje lembrei-me de todos aqueles que fazem do sonho um projecto de vida e vivem sonhando com o sonho.

Esta tela é o retrato de sonhos, de muitos sonhos; dos sonhos sonhados na lucidez do viver; dos sonhos de todos nós.

E vos deixo com a música e a voz da saudosa Elis Regina e a canção Uma Casa no Campo


domingo, 12 de julho de 2009

Domingo



Domingo é (era), por excelência, o dia do descanso semanal, hoje tão contrariado pelas exigências do chamado progresso que devora tudo e todos. É um fartote; são as bicicletas; são os atletas; são os carros que em filas indetermináveis esperam e desesperam para alcançar um metro de praia e contemplar o mar; são os automobilistas que levam a família pelos mesmos circuitos de sempre; são os namorados e os pais divorciados que enchem os jardins; são os centros comerciais a esgotar de gente; enfim, é o nosso tempo. Bem e mal vivido.

Seurat (1859-1891), pintor francês, deixou-nos uma obra que é hoje um símbolo da França, embora a grande tela, Domingo à tarde na Grande Jatte, (207,5 cm x 308 cm) seja hoje propriedade do Art Institute de Chicago e esteja bem longe dos olhares dos franceses. Esta tela retrata uma época onde a serenidade e a acalmia do Dia Santo era obrigatório. Outros tempos.

Esta tela, que pintei em tempos idos, de pequeno formato, retrata um domingo passado em Paris, cidade que tive o privilégio de visitar várias vezes, e que me encanta, sempre mais e mais.

E vos deixo com uma voz que adoro -Edith Piaf-, recorda-me Paris e as tardes de Domingo.



sábado, 11 de julho de 2009

Amigos





Os amigos fazem parte do viver e sem eles a negridão dos sentimentos prevalece no dia-a-dia. Os amigos - os verdadeiros -, são aqueles que gostamos de ver, de conversar e de estar. A razão é simples: a substância dos afectos e da comunhão da partilha dos interesses, independentemente da presença física, fortalecem o nosso próprio ego. Um mundo sem amigos é um mundo sem cor.
Conheci o Ramiro Marques primeiro no comboio; era o tempo dos estudantes que logo pela manhã iam para a faculdade; mais tarde, por razões profissionais, tornámo-nos conhecidos e depois amigos. Conversas e interesses afins fizeram o resto. O tempo passou e hoje presto-lhe uma homenagem.

Este desenho retrata o Ramiro, o amigo, o pedagogo, o professor, o escritor, o cibernauta, o viajante de muitas luas.

E vos deixo com as palavras do Duque François La Rochefoucaul in Máximas:
“ Na adversidade dos nossos melhores amigos, há algo que não nos desagrada.”

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Cores



Hoje vou falar de cores. Quando o sol brilha pela manhã, e nos dá a luminosidade do céu tão brilhante, gostamos das cores que os nossos olhos contemplam. Pintar é distribuir cores numa superfície. As cores surgem de uma ideia pré-concebida e de acordo com a sensibilidade e o objectivo do artista. É ao conjunto das cores, que se distribuem segundo uma determinada ordem, que nasce a pintura. Esta tem, naturalmente, um outro alcance mas é tão só cores e cores. Linha, textura, sombra, claro-escuro, luz, enquadramento, perspectiva, figura, plano, tema, plasticidade, etc, etc, constitui o maravilhoso mundo da pintura, e é a outra parte do mundo pictórico.

Juntar cores e dessa junção resultar uma harmonia cromática é o desafio maior para se chegar à pintura que seja a expressão do belo. Os artistas utilizam processos variados para obter na combinação de cores a obra desejada. Van Gogh, por exemplo, levava sempre consigo um caixa com novelos de lã de muitas cores e tons diferentes; antecipadamente escolhia a combinação ideal e depois, na tela, começava a colocar as misturas cromáticas, de tintas a óleo, que tinha seleccionado com os novelos de lã. Histórias da pintura…

quinta-feira, 9 de julho de 2009

A viagem da minha vida





Há viagens que se fazem e que nos marcam profundamente. A viagem da minha vida - até hoje, ocorreu na Europa. O que vi deixou-me deslumbrado. Tudo é tão bonito. Tudo é tão belo. É a História, é a paisagem, é a arquitectura, é a tradição, é a língua, é este e o outro e mais o outro e todos os outros museus, é a gastronomia, é a luz, é a cor …é a Itália.
É a cultura greco-romana ali tão viva que me apaixonou com a miscelânea de terra em terra, de cidade em cidade, de pintor em pintor. Foi uma viagem de sonho.

Esta aguarela só foi possível porque estive onde estive e vivi como vivi.

E vos deixo com o livro editado pela Europa-América, que um grande amigo e escritor - José Catarino Cipriano -, me recomendou, recentemente, e que paulatinamente estou a ler: A Ilíada de Homero.

“ …Sentados perto de Zeus, os deuses reuniram-se em conselho sobre o pavimento de ouro. Entre eles, a venerável Hebe servia o néctar, e todos brindavam com as taças de ouro, enquanto contemplavam a cidade dos Troianos…”

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Adeus Tristeza










A vida é tão bela, tão bela e tão amarga, tão amarga. É bela e amarga de acordo com os conceitos e os objectivos de cada um. Gente com tudo e tão desencontrada, e gente com nada e tão serena. O olhar o mundo é a consciência ou não do estar. Sempre assim foi, sempre assim será.

Estes desenhos retratam sentimentos, com os conceitos e os objectivos do momento.

E vos deixo com a canção de Fernando Tordo “Adeus Tristeza”.





Segredos do ofício








O fazer qualquer coisa implica conhecer os modos de actuar para realizar o pretendido. Em termos artísticos, trabalhar para realizar produtos que marquem a diferença pela diferença formal, geram, naturalmente, curiosas observações sobre como se chegou aí. Quando alguém faz um determinado objecto/artigo/intervenção que pela sua originalidade gera incógnitas sobre como se fez, cria curiosidades, desejos de descobrir a forma e o conteúdo. Aqui começam os problemas.

Por razões que considero, em primeira instância, de insegurança, há aqueles que não querem dizer como se faz. Em determinados contextos e situações percebe-se. Um mágico ao revelar como se faz um truque, perde todo o simbolismo e magia do acto que é o seu trabalho. Deixa de ter qualquer interesse, após se saber como se faz este ou aquele “milagre”. A magia deixa de ser magia. Nas artes plásticas não é assim, no entanto, por muitos medos, boa gente prefere conservar os seus segredos. Segredos do ofício.

Aqui, e agora, mostro desenhos embrionários, porque correspondem às primeiras ideias. Num ápice, num qualquer local, puxo de um caderno e risco no papel umas linhas que serão posteriormente trabalhadas a um outro nível até ao objectivo final: a tela ou a aguarela. Segredos desvendados.